11 outubro 2006

Adolescentes - Amparo Bellido Sanjuan

15 anos. Ingénua, sonhadora, de sorriso e coração aberto. Tudo era simples nessa altura, até o amor. Uma viagem de estudo. Um olhar mais intenso e demorado; um sorriso sincero e envergonhado como resposta a esse olhar, e tudo começou… Nos dias seguintes o olhar e o sorriso deram lugar a palavras, depois a beijos e a carícias. Estava consumado aquele amor de adolescência. Tudo simples… Até que um dia surgiu o inevitável. Ele apareceu de rosto fechado, parecia que transportava o mundo em cima dos ombros. Ela percebeu logo, mas… não pode ser, ainda ontem ele me jurou amor eterno e me disse que não podia viver sem mim… Ele disse que tinha de terminar tudo, que continuava a gostar muito, mas não podia explicar… Tinham de terminar. 15 anos e não podia explicar?! Tudo era simples, como é que não podia explicar?! Continuaram a ver-se todos os dias, falavam-se como se fossem melhores amigos, olhavam-se como no primeiro dia… De quando em quando ela pedia uma explicação. Já tinha passado tanto tempo (um mês quando se é adolescente é uma eternidade)... Mas nada. Ele continuava mudo de explicações. Até que, numa outra visita de estudo, os amigos os obrigaram a falar. Não falaram. Olharam-se, tocaram-se e beijaram-se! Ela esperou pelo dia seguinte, ele prometeu que lhe explicaria tudo… E explicou. Que vivia amargurado por vê-la todos os dias e não a tocar, que dormia e acordava a pensar nela, mas… mas o quê? Perguntou ela… Vamos voltar mas no final do ano teremos de terminar… disse ele. E explicou-lhe tudo. Ela concordou, inconscientemente na esperança que até ao final do ano ele mudasse de ideias. Mas não mudou. O final do ano chegou e todos foram apanhados de surpresa. Mas como aconteceu, porque aconteceu? Ninguém sabe, eles não contam.

10 outubro 2006


"Cantava em inglês, com acentuado sotaque francês. Is this the evening of the day, I sit and watch the children play. Por vezes, quando não se lembrava das palavras certas, terminava deliciosamente em surdina."
in Os Emigrantes, W. G. Sebald

26 setembro 2006

O início é sempre duro...