04 junho 2007

Palavras #15











Forgiveness
- Thireey Ona


Um ser amado que desilude.

Escrevi-lhe.
É impossível que não me responda
aquilo que eu disse a mim mesma
em seu nome.

Os homens devem-nos
o que imaginamos que nos vão dar.
Pagar-lhes esta dívida.

Aceitar que sejam diferentes
das criaturas da nossa imaginação,
é imitar a renúncia de Deus.

Também eu sou diferente
daquilo que imagino ser.
Saber isto,
é perdoar.

Compreensão - Simone Weil

10 maio 2007

E uma vontade de ir, correr o mundo e partir *



De Usuahia a la Quiaca -
Gustavo Santaolalla (Diarios de Motocicleta)

* Homem do Leme - Xutos & Pontapés

25 abril 2007

A Fragata *

Foto de Alfredo Cunha - publicada na edição d'O Século Ilustrado de 27 Abril 1974

Faz hoje 33 anos que o teu pai ia morrendo naquele barco!
Todos os dias vinte e cinco de Abril a minha avó repete esta frase, acrescentando mais um ano, de acordo com o passar do tempo.

Se eles tivessem disparado não sei o que teria acontecido, provavelmente vocês não existiriam. Aqueles tanques no Cristo Rei e no Terreiro do Paço…
E desta forma começa mais uma lição de história, uma lição na primeira pessoa que prende e cativa. Fico absorvida como se estivesse a ler um livro extraordinário ou a ver um filme belíssimo. Ouvir o relato de alguém que esteve no meio da Revolução, por mais diminuto que tenha sido o seu papel, é como fazer uma viagem no tempo. Daquelas viagens que ensinam e nos fazem gostar e apaixonar pela história. Que nos fazem sentir como era viver sem liberdade e como aqueles momentos foram/são da maior importância. É uma viagem no tempo que ajuda a que não se esqueça, para que a memória não de desvaneça. É uma viagem no tempo que me ensinou a saborear e a dar valor àquele momento em que um papel dobrado em quatro é colocado na urna.

*um relato objectivo deste pequeno pedaço de história


"Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substancia do tempo."

Sophia de Mello Breyner Andresen




Foto de Eduardo Gageiro publicada na edição d' O Século Ilustrado a 04 de Maio de 1974

24 abril 2007

Em 1913 ele já sonhava com a Revolução

Menina dos Cravos - Amadeo de Souza Cardoso

18 abril 2007

Descoberta 2 em 1



The Awakening - featuring Ursula Rucker, taken from the 4hero album 'Play With The Changes'

16 abril 2007

Palavras #14

Cupid Complaining to Venus - Lucas Cranach the Elder

" (...) davam-me muito que pensar sobretudo porque tomava consciência da minha situação de priveligiado em relação a quase tudo o que acontece na terra. Mas não era só eu, somos todos os que vivemos neste Ocidente que se tornou a ambição do resto do mundo. No entanto, olho à minha volta, vejo tudo insatisfeito. Porquê? Conheci um velho juiz que estava quase completamente surdo, no tempo em que os aparelhos de surdez ainda não eram comuns. Ele continuava a frequentar cafés e tertúlias e uma vez perguntei-lhe como é que ele entrava nas conversas. Ele dizia-me: «É muito fácil. Eles falam, falam, eu não os percebo, mas digo-lhes sempre: "Ó homem, não faça caso, deixe lá, não faça caso..." É que eles estão-se sempre a queixar!» (...) Pergunto-me porque será que o homem, à medida que melhor vive, mais tem que assumir esta sua condição queixosa, sem se dar conta dos privilégios que tem."

in O Tecido do Outono - António Alçada Baptista

02 abril 2007

Força da Natureza



"Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais"


Muito Pouco - Maria Rita

24 março 2007

Palavras #13

Póvoa de Varzim

"Aquela mulher sentia-se aleijada diariamente pela constante ausência do mar, do seu cheiro penetrante e salgado, das suas ondas atrevidas e majestosas, enfim, do seu efeito revitalizante para aqueles que são do mar.(...)
Por maior que seja o amor, a dor, a tristeza, o poder de um coração, ninguém pode recriar o mar. Em sítio mais nenhum."

in O Assobiador - Ondjaki

22 março 2007

Gente que passa

Gente que passa e desvia o olhar. Gente que passa e faz de conta que não existo. Gente que passa e afasta de mim as crianças como se eu lhes pudesse fazer algo. Gente que passa, passa, corre, e diz que não com a cabeça, mas sempre sem olhar. Gente que passa e levanta a mão, e faz aquele trejeito do Aqui está este novamente, não se tem paz em lado nenhum. Gente que passa e continua a passar, como se eu não existisse… Gente que passa e nem é capaz de ver a beleza do que tenho nas mãos. Não estendo as mãos vazias, apenas quero trocar. E esta gente passa e não se apercebe de quão vantajosa pode ser esta troca. Amigo. Dê-me uma dessas. Quanto é? Dois euros? Aqui tem. Guarde o troco. Bonita a capa. Esta revista tem sempre fotos fabulosas. Obrigado. Ah, este parou e não passou apenas. Ainda há desses... Que frenesim de novo: gente que passa, passa e não pára, não olha, não vê tudo isto: