"As espécies que não desenvolveram a escrita valem-se da memória instintiva. O salmão sabe o caminho do lugar onde nasceu sem ter que consultar um parente ou um mapa.(...) Já o Homem pode ser definido como o animal que precisa tomar nota." Luís Fernando Veríssimo
05 novembro 2007
02 novembro 2007
Carpe Diem
Humm... Imito os gatos, esses que na sua irracionalidade (será que são mesmo?) aproveitam o sol na sua totalidade, sem reservas. Estico os braços primeiro. Os músculos que restam depois (ficam cheios de inveja e imitam-nos - aos braços - sem culpas...). Fecho os olhos e sinto a brisa. Cheira a Primavera (mas não é Novembro?!). O sol, o calor, o canto dos pássaros podem enganar, mas o entardecer desfaz as ilusões (é mesmo Outono).
01 novembro 2007
Fé nublada - Daniel Oliveira"Arrumamos os mortos e ungimo-los
São uma instituição que respeitamos
e às vezes lembramos celebramos
nos fatos que envergamos de propósito
nas lágrimas nos gestos e nas gravatas
com flores e nas datas num horário"
São uma instituição que respeitamos
e às vezes lembramos celebramos
nos fatos que envergamos de propósito
nas lágrimas nos gestos e nas gravatas
com flores e nas datas num horário"
in Em legítima defesa - Ruy Belo
31 outubro 2007
"Eu dizia-te que chorar é lembrarmo-nos de nós um instante."
Al Berto
no negro
choramos por nós
nunca por ti (apenas um pouco por ti)
choramos pelo nós contigo que parou
que nunca mais sairá deste tempo
choramos pelas palavras e actos, não pelas ditas e pelos realizados,
mas pelas não ditas e pelos não realizados
choramos por tudo o que ficou e não passou
a barreira invisível que separa o se do real
choramos com receio do desconhecido
não do teu, mas do nosso sem ti
choramos lágrimas
lágrimas com elevada concentração de egoísmo
perdoável.
28 outubro 2007
Palavras #22
O tempo que mata o tempo - Eduardo RosasDa velhice
sempre invejei
o adormecer
no meio da conversa.
Esse descer de
pálpebra não é nem
idade nem cansaço.
Fazer da palavra um embalo
é o mais puro e
apurado senso da poesia.
Sono Coloquial - Mia Couto
25 outubro 2007
22 outubro 2007
Conversas Imaginárias #2
I wish I was the full moon shining - Rui Neto Algarvio"O tempo cobre-se de musgo. (...) Sublima-se a pouco e pouco, dilui-se no sange inquieto - é o início do esquecimento; esse imenso limbo semi-obscuro onde flutuarão rostos e gestos, corpos e palavras - e nada terá sentido. Mas reconhecerei as ruínas daquilo que amei, daquilo que nomeei para entender o mundo."
in Canto do Amigo Morto - Al Berto
- Parece que comecei a avançar.
- Já não era sem tempo.
- Mas isso soa-me a esquecer…
- Rir, sorrir, sonhar com o futuro, querer mais não é esquecer. Não há mal nenhum em que o sol desapareça todos os dias no horizonte. No dia seguinte ele renasce. Há dias em que não parece, mas está sempre lá.
- …?
- Esquecer é impedir o sol de nascer no dia seguinte. Esquecer é viver numa noite escura, sem estrelas nem lua. E isso não acontece.
- Já não era sem tempo.
- Mas isso soa-me a esquecer…
- Rir, sorrir, sonhar com o futuro, querer mais não é esquecer. Não há mal nenhum em que o sol desapareça todos os dias no horizonte. No dia seguinte ele renasce. Há dias em que não parece, mas está sempre lá.
- …?
- Esquecer é impedir o sol de nascer no dia seguinte. Esquecer é viver numa noite escura, sem estrelas nem lua. E isso não acontece.
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