08 novembro 2007

Conversas Imaginárias #3






















"(...) coisa por coisa dessas coisas que subsistem
vivas mais que na vida vivas na imaginação
onde só afinal as coisas são (...)"

in Legítima Defesa - Ruy Belo

- Onde estás? Por onde andas?
- Aqui... Por aí.
- Ali no meio das árvores?
- Sim, também. Onde tu quiseres.
- Obrigada.
- ... ?
- Por estares por aí espalhado. Sinto-te próximo, apesar de desvanecido.

05 novembro 2007

02 novembro 2007

Carpe Diem


Humm... Imito os gatos, esses que na sua irracionalidade (será que são mesmo?) aproveitam o sol na sua totalidade, sem reservas. Estico os braços primeiro. Os músculos que restam depois (ficam cheios de inveja e imitam-nos - aos braços - sem culpas...). Fecho os olhos e sinto a brisa. Cheira a Primavera (mas não é Novembro?!). O sol, o calor, o canto dos pássaros podem enganar, mas o entardecer desfaz as ilusões (é mesmo Outono).

01 novembro 2007

Fé nublada - Daniel Oliveira

"Arrumamos os mortos e ungimo-los
São uma instituição que respeitamos
e às vezes lembramos celebramos
nos fatos que envergamos de propósito
nas lágrimas nos gestos e nas gravatas
com flores e nas datas num horário"

in Em legítima defesa - Ruy Belo

31 outubro 2007


"-Estás a ver, Wendy, quando o primeiro bebé se riu, pela primeira vez, o seu riso partiu-se em mil bocados, que se começaram a espalhar, e esse foi o princípio das fadas."

in Peter Pan - J.M. Barrie



Cristais de Lisozima

"Eu dizia-te que chorar é lembrarmo-nos de nós um instante."
Al Berto

no negro
choramos por nós
nunca por ti (apenas um pouco por ti)

choramos pelo nós contigo que parou
que nunca mais sairá deste tempo

choramos pelas palavras e actos, não pelas ditas e pelos realizados,
mas pelas não ditas e pelos não realizados

choramos por tudo o que ficou e não passou
a barreira invisível que separa o se do real

choramos com receio do desconhecido
não do teu, mas do nosso sem ti

choramos lágrimas
lágrimas com elevada concentração de egoísmo
perdoável.

28 outubro 2007

Kothbiro*

Lago Turkana - Quénia




* a chuva está a chegar

Palavras #22

O tempo que mata o tempo - Eduardo Rosas


Da velhice
sempre invejei
o adormecer
no meio da conversa.


Esse descer de
pálpebra não é nem
idade nem cansaço.


Fazer da palavra um embalo
é o mais puro e
apurado senso da poesia.


Sono Coloquial - Mia Couto

25 outubro 2007