"As espécies que não desenvolveram a escrita valem-se da memória instintiva. O salmão sabe o caminho do lugar onde nasceu sem ter que consultar um parente ou um mapa.(...) Já o Homem pode ser definido como o animal que precisa tomar nota." Luís Fernando Veríssimo
21 dezembro 2007
18 dezembro 2007
Palavras #24
shyness is nice - Dom PedroEu não tinha outra saída senão dizer-lhe que sim mas acho que no fundo fiquei um bocado culpabilizado por dizer que o que gosto mais na vida é fazer amor:
- Talvez... Acho que sim... Mas há também outras coisas na vida.
A Catarina riu-se e desafiou-me:
- Não há nada. Diz lá uma...
- Não sei... A ternura, por exemplo. Eu gosto do amor individualizado... Deixa lá ver se eu me explico... Gosto assim enquanto se vê que eu estou a gostar de ti mesmo e tu estás a gostar de mim. A certa altura tenho a impressão de que tu estás é a gostar do corpo dum homem e que eu estou a gostar do corpo duma mulher... Achas que me expliquei bem?"
10 dezembro 2007
05 dezembro 2007
Conversas Imaginárias #4
"(...) vives tanto em mim como em qualquer lugar
onde antes te encontrava e te possa encontrar (...)"
in Legítima defesa - Ruy Belo
- Queria dar-te um beijo de parabéns, beber um copo à tua saúde e desejar-te muitos anos de vida.
- Querias? Já não queres?!
- Quero mas...
- O que é que te impede? Ah, já sei... Tens medo que te chamem louca.
- Acho que já passei essa fase.
- Então mostra-lhes os poemas. Viverei enquanto vivam todos os que me amam e odeiam. Faz o favor de me cantar os parabéns. Valle?
01 dezembro 2007
24 novembro 2007
2 x Al Berto = ...
Deixo-me ficar quieto, abro as mãos, toco-te – quando a tua voz me sacode. Encolho-me e escuto em mim:
- Trago-te o mar, as nuvens
Trago-te as palavras,

e este cigarro que fumaremos os dois... e do mar recolhi esta coroa de rubras escamas e o silêncio dos náufragos... uma concha,
O dia vem lentamente na incandescência de um fio de poeira suspensa. Atravessa o quarto vazio, acende-te o rosto.
Abro um pouco a boca e deixo cair a moeda de ouro. Nos meus olhos descobrirás como é grande a tristeza do mundo.
Lá fora é outra vez verão."
in Canto do Amigo Morto – Al Berto
18 novembro 2007
Puedo Escribir - Pablo Neruda (tradução inglesa recitada por Andy Garcia)
“...Faz hoje cem anos exactos, um pobre e admirável poeta, o mais atroz dos desesperados, escreveu esta profecia: Ao amanhecer, armados de uma ardente paciência, entraremos nas esplêndidas cidades. Acredito nesta profecia de Rimbaud, o vidente. Venho de uma província obscura, de um país separado de todos os outros pela cortante geografia. Fui o mais abandonado dos poetas e a minha poesia foi regional, dolorosa e chuvosa. Mas sempre tive confiança no homem. Jamais perdi a esperança. Talvez por isso chegasse até aqui com a minha poesia e também com a minha bandeira. Em conclusão, devo dizer aos homens de boa vontade, aos trabalhadores, aos poetas, que todo o futuro foi expresso nesta frase de Rimbaud: só com uma ardente paciência conquistaremos a esplêndida cidade que dará luz, justiça e dignidade a todos os homens. Assim, a poesia não terá cantado em vão.”
(excerto com a parte final do discurso de Pablo Neruda, pronunciado no dia em que recebeu o Prémio Nobel de Literatura, 1971)
13 novembro 2007
Palavras #23

hoje é dia de coisas simples - Joana Saraiva
hoje é dia de coisas simples
(Ai de mim! Que desgraça!
O creme de terra não voltará a aparecer!)
coisas simples como ir contigo ao restaurante
ler o horóscopo e os pequenos escândalos
folhear revistas pornográficas e
demorarmo-nos dentro da banheira
falaremos do tempo com os olhos presos dentro das
chávenas
inventaremos palavras cruzadas na areia... jogos
e murmúrios de dedos por baixo da mesa
beberemos café
sorriremos à pessoas e às coisas
caminharemos lado a lado os ombros tocando-se
(se estivesses aqui!)
em silêncio olharíamos a foz do rio
é o brincar agitado do sol nas mãos das crianças
descalças
hoje.
Al Berto
08 novembro 2007
Conversas Imaginárias #3

onde só afinal as coisas são (...)"
- Aqui... Por aí.
- Ali no meio das árvores?
- Sim, também. Onde tu quiseres.
- Obrigada.
- ... ?
- Por estares por aí espalhado. Sinto-te próximo, apesar de desvanecido.





