14 fevereiro 2008



Mon Français - Erik Truffaz & Ed Harcourt

08 fevereiro 2008

Slow motion

Dizias sempre o mesmo, tinhas medo de perder as tuas memórias, receio que elas se escapassem por entre os teus dedos, como a areia da praia.
Durante anos tentaste encontrar uma forma de conservar tudo: as boas, as más, os sítios, as pessoas e, principalmente, os pormenores a que ninguém ligava. Foste usando diversos métodos, cientificamente testados (porque levavas essa coisa da ciência muito a sério). A salmoura, o fumeiro… quando surgiu a congelação, eureka, achaste que tinhas o problema resolvido. Compraste o topo de gama, cinco estrelas, empacotaste e etiquetaste tudo, por ano, por tipo de memória.
Foste acumulando tudo ao longo da tua vida: as nuvens que os teus olhos viram, a maresia que o teu nariz cheirou, a chuva que a tua pele sentiu, o riso que os teus ouvidos ouviram, a pele que a tua boca saboreou.
Hoje chegaste à minha beira com uma lágrima ao canto do olho (alegria ou tristeza?). Tinhas começado a descongelar memórias e todas eram um filme a preto e branco, em movimento lento.


04 fevereiro 2008

03 fevereiro 2008

publicidade na última edição da revista Egoísta


01 fevereiro 2008

Conversas Imaginárias #5























Shhh - Rui Lebreiro


"e ver-te vir como quem voa ao caminhar"

in Legítima defesa - Ruy Belo

- Senti falta…
- De quê?
- Das SMS’s típicas da altura. Aquelas de que me queixo sempre, todos os anos, porque acho um exagero.
- Mas recebeste, e muitas que eu bem ouvi.
- Não as tuas.
- Não recebeste?! Mas eu enviei, e não só para ti. Realmente não foram SMS´s mas sim SUR’s… uhm… de qualquer forma recebi relatório de entrega, por isso…
- SUR´s ?!?
- Sim. SUR’s: sussurros… de Natal, de aniversário. São as novas SMS´s. Última geração!




boomp3.com

30 janeiro 2008

28 janeiro 2008


"terrível é a tentação da bondade"


in


















(clicar, clicar e clicar na imagem)

22 janeiro 2008

“um rasgão no peito, uma saudade de mim”


iam perceber quem eu sou, um homem à procura de palavras jamais encontradas

miligrã, oxálida*, xarel
hidranja, plátano, arrabil, phisalis
oxálida*, voo, xarel, arrabil, hipericão, avena, miligrã



para quando oxálida*, plátano, miligrã?
oxálida*, cítara, xairel, gomil, rocio, cântaro, miligrã

andarei toda a vida à procura das palavras certas, sem nunca, na minha pequenez, acertar


oxálida*, genciana, miligrã, arrabil, avena, hipericão

(…) a outra palavra que não encontrei, todas as outras que não encontrei, porque se alguma coisa a vida me ensinou, é que não importa encontrar a palavra. Tudo o que vale a pena, entre a vida e a morte, é procurá-la.



* o nome do trevo amargo (azedas) que adoça as bocas da infância


Título e texto a itálico retirados do livro A Alma Trocada de Rosa Lobato Faria
Fotos (de cima para baixo, da esquerda para a direita): oxálidas, hipericão, avena, genciana

16 janeiro 2008



Something of an end - My Brightest Diamond (with Pedestrian)

11 janeiro 2008

60 *

"A vida, como sabes, tem o tempo da areia que se escapa por entre os dedos.
Areia rápida e branca.
Esvoaçante."

in Anjo Mudo

"A eternidade não é lerem-me daqui a 50 ou 60 anos ou ficar na história da literatura portuguesa. Só espero que meia dúzia de doidos me leiam agora e isso os toque. A eternidade é uma permanência da força que está dentro de nós."
Al Berto (* n. 11 Janeiro 1948)