Al Berto
Paris je t'aime - segmento Quartier des Enfants Rouges
in A Terceira Rosa - Manuel Alegre
Abriu a porta de casa e tudo estava escuro. (Pre)sentiu as mãos dele sobre as suas costas e a boca dele perto da sua orelha Não te vires, sussurou ele. Relaxa. Colocou-lhe uma venda e levou-a. Ela deixou-se guiar, deixou-se ir. De repente a música começou a tocar, aquela música.
Há quantos anos... murmurou ela. Shiuu. E ele começou a tocá-la, a beijá-la, a dançar com ela. Todos os cantos e recantos de ambos se tocaram. E a música continuava, sem fim.
E o ritmo,
o balanço,
as respirações,
as mãos,
as bocas,
os sorrisos,
os olhos (já sem venda...),
os risos,
os suspiros,
os gemidos,
as vidas,
as peles,
os murmúrios,
os suores,
o prazer.
E quando a música terminou, ela encaixou-se nele (da mesma forma – perfeita - como a última peça que preenche o puzzle), ele envolveu-a com os seus braços e soprou-lhe ao ouvido: Ouves?! Os dois a bater como um só.
"Mais do que corpo com corpo entre nós tudo foi sempre alma com alma, centro com centro, encontro, desencontro, fuga, amor e mágoa."
in A Terceira Rosa - Manuel Alegre
* Heaven







