21 maio 2008

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Karina Bertoncini

Negro dos pés à cabeça, com xaile por cima, pois assim manda a tradição.

Em todas as estações [primavera, verão, outono ou inverno] com poucas diferenças...

No pico do verão mudam os tecidos, mas o xaile fica sempre: pesado, preto, quente.

Mas nem uma gota de suor, nem uma manga arregaçada.



No pico do verão não há calor: o frio vem de dentro.




20 maio 2008

melt me down*

My bluberry nights I





Elizabeth: So what's wrong with the Blueberry Pie?

Jeremy: There's nothing wrong with the Blueberry Pie, just people make other choices.




* The Greatest - Cat Power


My bluberry nights II







Alguém gritou do outro lado: seis, seis palavras...

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[mas solitários somos e passamos] - Pedro Soares


caminho, busca, interrogações, mistério, afecto, "os outros"



Aquilo que somos ainda não aconteceu.
S. João Evangelista

06 maio 2008

Palavras #28

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SEMORIGEM

"Porque existe a verdade nos factos. Aconteceu coisa e tal. Nesse ou naquele momento. Não é difícil averiguar isso. Os factos falam por si, como se costuma dizer, a caminho do fim da vida todos os factos são reveladores e gritam mais alto que os réus submetidos à tortura. Afinal, tudo aconteceu e não podem existir equívocos. Mas, às vezes, os factos são apenas consequências deploráveis. Uma pessoa não peca com aquilo que faz, mas com a intenção, com a qual comete isto ou aquilo. A intenção é tudo. (...) Uma pessoa pode cometer infedilidade, uma acto infame, sim, até o pior, pode matar e, todavia, manter-se puro por dentro. Um acto ainda não é equivalente à verdade. É sempre apenas uma consequência, e se um dia, uma pessoa desempenha o papel de juíz e quer julgar, não pode contentar-se com os factos do relatório de polícia, tem de averiguar aquilos que os juristas chamam motivo."



in As velas ardem até ao fim - Sándor Márai

04 maio 2008

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Ana Morkazel





[no sorriso louco das mães...] - Herberto Helder in Entre nós e as palavras



"No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e orgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos são como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor."

Herberto Helder

28 abril 2008

Conversas Imaginárias #7

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Mara Mitchell

morto amado nunca mais pára de morrer
Mia Couto


- Podíamos ser como o mar.
- Como? Imenso e azul? Pelo menos azul já sou ;)
- Também. Mas falava das ondas que vão mas voltam. Podíamos ir, mas voltar para... nem sei bem para quê. Acho que só o voltar já era suficiente. Volta...


25 abril 2008

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foto de Eduardo Gageiro publicada n' O Século Ilustrado de 26 de Abril de 1974

(...) em frente estão as vendedoras de flores. As que existiam nessa altura eram os cravos brancos e vermelhos. Pegam nos molhos que aí tinham e começam-nos a oferecer, assim como outras pessoas que nos vêm oferecer de tudo, inclusive um homem com um presunto e uma faca. Neste contexto, como o vermelho é sinónimo de esquerda e tem um certo enquadramento, os fotógrafos começam a valorizar as fotografias dos cravos vermelhos; mas a realidade é que eles eram vermelhos e brancos que eram os que estavam à venda (...)

excerto de uma entrevista a Salgueiro Maia

22 abril 2008

no descanso da chuva...

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[Póvoa de Varzim - 19 de Abril 2008]


... take me home