27 agosto 2009

Palavras #40

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scarabuss

"- Did you know. . . I hardly remembered you.
- Hardly remembered?
- I mean. . . I mean it's always the same. Each time I see you. You happen to me allover again."

(the age of innocence)


"Viajava durante umas semanas, um mês, e um dia regressava, e quando nos encontrávamos no átrio havia qualquer coisa no seu rosto, como se tivesse esquecido o meu aspecto e ficasse encantado de novo, uma mulher alta e magra que podia ter sido pintada por El Greco, uma madona ou um anjo, e por alguns instantes olhava-me como se ainda me tivesse amor.

(...)

- Tinha esquecido como eras bonita. - dizia-lhe o mesmo em Madrid, com a mesma surpresa, quando se encontravam de manhã cedo, quando se separavam por algumas horas."

in O Verão selvagem dos teus olhos - Ana Teresa Pereira

16 agosto 2009

03 agosto 2009

Incapacidade Expressiva #12

"Serra!
E qualquer coisa dentro de mim se acalma...
Qualquer coisa profunda e dolorida,
traída,
feita de terra
e alma."

Miguel Torga, in Diário II




Póvoa do Lanhoso
Póvoa de Lanhoso (na zona)



Cascatas do "Tahiti" - Gerês
Cascatas do "Tahiti" - Parque Nacional da Peneda Gerês


Brufe _PNPG
a caminho de Brufe - Parque Nacional da Peneda Gerês


22 julho 2009

Do que constrói as nossas madrugadas #3

Trio of galaxies miz it up_NASA
Nasa


As madrugadas estão quentes e a roupa pesa em cima do corpo que descansa. Num ápice o lençol desaparece. Sentes um arrepio, apesar do calor da noite. Outro arrepio... a mão dele começa a percorrer-te. Os pés, as pernas,... Despe-te e tu deixas despir-te. Começa a ligar os pontos da tua pele, esses sinais malditos. Desenha uma série de linhas imaginárias e começa a nomear cada uma das constelações que criou no teu corpo. No fim, depois de te percorrer na totalidade, beija-te longamente e sussurra-te ao ouvido...


Queres ir comigo às estrelas?
Vamos fazer parte das constelações...


15 julho 2009

Palavras #39

Fear Of Falling by ~wries
wries


"Hoje, agora, barba feita e inútil, apenas quero dizer que, em vez de de tudo isto, gostava de ter a coragem de ser como aquele escritor americano que há cinco/seis anos conheci em Haia, na Holanda. Desde a hora em que fomos apresentados, ele sentiu uma ternura instantânea e evidente por mim, uma ternura paternal, que aceitei. Era de noite, caminhávamos pelas ruas desertas de Haia, chovia um véu que nos cobria o rosto. Ele passava dos sessenta anos, eu ainda não tinha trinta, falava-me dos filhos que eram homens e lhe telefonavam duas ou três vezes por ano, falava-me da solidão. Disse que estava sozinho há quase quinze anos. Quando lhe perguntei o motivo pelo qual não procurava companhia, respondeu-me que não queria fazer mal a mais ninguém. Essas palavras ficaram-me, ouço-as muitas vezes. Nessa noite, enquanto passeávamos, o escritor americano tropeçou e caiu com muita violência no chão, as mãos escorregaram-lhe quando ia amparar a queda. Tentei ajudá-lo a levantar-se, recusou. Perguntei-lhe se devia chamar uma ambulância, recusou. Disse-me que só precisava de ficar deitado um instante. E assim foi. Ficou deitado no passeio, de barriga para cima, de olhos fechados, com a chuva a cobri-lo devagar. Eu baixei-me e fiquei ao seu lado. Durante esse instante, no silêncio, dentro da dor, houve paz."

José Luís Peixoto - excerto da crónica Não tenho medo de nada, só tenho medo de tudo inserida na Visão nº 853

06 julho 2009

v(o)amos?!

James May on the moon

(clicar na imagem)