16 junho 2010

(a)vós

JMAC_Olhares



"a morte, tenho para mim, que não deve ser nada má. não acreditas?! ouve: se eu não me lembro de ter nascido, também não me hei-de lembrar de ter morrido." *





Na minha aldeia há nomes de pessoas são mares de poesia. Dessa poesia que constrói, que faz vidas dilaceradas e cheias de felicidade. Vão desaparecendo os nomes e a poesia parece ir com eles, nesse vento forte da madrugada. Esse vento que leva o último sopro, mas nunca as palavras ditas, os actos realizados e as lições aprendidas.


Amélia

Madrinhazita


Arménio Padeiro

* Zé do Chico

Maria da Luz

Idalina


são estes, e mais uns quantos que a memória atraiçoa, os nomes que são poesia, os nomes que são cheios de ensinamento e humildade. Os avós adoptivos que todos nós, os que na aldeia vivem (ou viveram) tiveram. Os avós que nos acarinharam em crianças, que connosco se surpreenderam em adultos. Que nos contaram estórias, que nos fizeram parar e pensar uma, duas, três, (...), dez vezes. Que nos tentaram ensinar a viver. Que se foram, mas connosco ficaram, porque assim se vive verdadeiramente.


13 junho 2010

Incapacidade expressiva #14

Nenhum outro caudal nosso corre em leito mais duro, encontra obstáculos mais encarniçados, peleja mais arduamente em todo o caminho.

Miguel Torga


Miranda do Douro

Miranda do Douro [Douro Internacional]


S. João das Arribas

S. João das Arribas [Douro Internacional]


Miradouro Penedo Durão

Miradouro Penedo Durão [Douro Internacional]

07 junho 2010

Photobucket


e desse Litoral voltámos, com vontade (alguma) de ficar

1943-2010*

blowing bubles by Starry Mom

StaryMom



"Apaixonei-me por ti ao ouvir-te explicar a uma colega tua que uma esfera é um círculo assoprado."


in Navegador Solitário - João Aguiar *

23 maio 2010

dar graças*

a insustentavel leveza do ser_Pedro Soares
Pedro Soares



"Toma-me ainda em tuas mãos e
não perguntes nada
nem sequer dês um nome aos gestos que se abrigam
como um fruto uma promessa um murmúrio
nas fogueiras ateadas em junho

juro que vou escolher palavras que não doam
parecidas com as que sempre encontrava
nas camas em que tantas vezes te enterrei
por dentro do meu corpo

toma-me ainda em tuas mãos eu sei que
temos pouco tempo que não queres
inventar novos ardis para um desamor tão velho
mas vais ver
o mundo é apenas isto e para isto
não procures nenhuma filosofia redentora
porque tudo é no fim de contas tão banal

podes por isso começar a refazer a estrada que
te levava ao centro dos meus dias e esperar
que eu chegue com um retrato desfocado nas mãos
na hora certa de abrir para ti as minhas veias."

in O que dói às aves - Alice Vieira



* por ti e por ela, por ele, por aquela e aquele, o outro e a outra, o sol e a chuva, a lua e o sol, o (so)riso e as lágrimas (e porque nunca é demais)

Palavras #45

Passado com história_Cristiano Alves_olhares

Cristiano Alves



"E tudo o que esteve grávido de futuro ficou, de repente, envenenado de passado" *


in A sombra do que fomos - Luís Sepúlveda


* leio o que escreve Sepúlveda do Chile e parece-me que leio sobre Portugal :P