"As espécies que não desenvolveram a escrita valem-se da memória instintiva. O salmão sabe o caminho do lugar onde nasceu sem ter que consultar um parente ou um mapa.(...) Já o Homem pode ser definido como o animal que precisa tomar nota." Luís Fernando Veríssimo
18 julho 2010
01 julho 2010
28 junho 2010
do fim de semana
"(...) é sempre a repetição de uma vez anterior, antes de se saber que havia antes. Dias perfeitos, redondos como pedras, nítidos, coincidentes, plenos, drapejados."
Eduardo Prado Coelho
é assim o "nosso" lar
27 junho 2010
23 junho 2010
Do que constrói as nossas madrugadas #5
Palavras #46

arrumas a casa sacodes tapetes limpas o pó e
o mesmo fazes com a alma --- puxas-lhe o brilho
regas o coração e o grande feto verde-granulado
deixas o verão deslizar de mansinho
para o cobre luminoso do outono e
às primeiras chuvadas recomeças a escrever
como se em ti fertilizasses uma terra generosa
cansada de pousio --- uma terra
necessitada de águas de sons de afectos para
intensificar o esplendor do teu firmamento
passa um bando de andorinhões rente à janela
sobrevoam o rosto que surge do mar --- crepúsculo
donde se soltaram as abelhas incompreensíveis
da memória
luzeiros marinhos sobre a pele --- peixes
que se enforcam com a corda de noctilucos
estendida nesta mudança de estação.
mudança de estação - Al Berto, in Horto de incêndio
16 junho 2010
(a)vós
"a morte, tenho para mim, que não deve ser nada má. não acreditas?! ouve: se eu não me lembro de ter nascido, também não me hei-de lembrar de ter morrido." *
Na minha aldeia há nomes de pessoas são mares de poesia. Dessa poesia que constrói, que faz vidas dilaceradas e cheias de felicidade. Vão desaparecendo os nomes e a poesia parece ir com eles, nesse vento forte da madrugada. Esse vento que leva o último sopro, mas nunca as palavras ditas, os actos realizados e as lições aprendidas.
Amélia
Madrinhazita
Arménio Padeiro
* Zé do Chico
Maria da Luz
Idalina
são estes, e mais uns quantos que a memória atraiçoa, os nomes que são poesia, os nomes que são cheios de ensinamento e humildade. Os avós adoptivos que todos nós, os que na aldeia vivem (ou viveram) tiveram. Os avós que nos acarinharam em crianças, que connosco se surpreenderam em adultos. Que nos contaram estórias, que nos fizeram parar e pensar uma, duas, três, (...), dez vezes. Que nos tentaram ensinar a viver. Que se foram, mas connosco ficaram, porque assim se vive verdadeiramente.
13 junho 2010
Incapacidade expressiva #14
Nenhum outro caudal nosso corre em leito mais duro, encontra obstáculos mais encarniçados, peleja mais arduamente em todo o caminho.
Miguel Torga
Miranda do Douro [Douro Internacional]
S. João das Arribas [Douro Internacional]
Miradouro Penedo Durão [Douro Internacional]
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