17 outubro 2013

07 outubro 2013

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soheir



Há alguns anos atrás este vídeo fez-me escrever este texto

As memórias sempre foram uma preocupação. Sempre tive medo do efeito erosivo do tempo sobre aquilo que fica guardado no nosso cérebro. De como as reconstruimos conforme as vamos contando.


Hoje, em dia de memória(s), recentes, mas ao mesmo tempo tão fugazes e nubladas só queria ter, finalmente, encontrado O método (cientificamente testado) para as conseguir guardar sem mossa, sem defeito.



06 outubro 2013

dos dias bons salpicados de tristeza

Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto ao mar.

Sophia de Mello Breyner Andresen


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a brisa quente de outono na face


o mar salgado na pele


a certeza de ti (e do nós)


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o silêncio


a água salgada a escorrer pela face


a saudade do que não se viveu



Carta a Alice #5



04 outubro 2013

about today







"Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido frequente demais, até mesmo um pouco (ou muito chato). Mas, que se há-de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura.

(...)

Resolvi andar. Andar e olhar. Sem pensar, só olhar: caras, fachadas, vitrinas, automóveis, nuvens, anjos bandidos, fadas piradas, descargas de monóxido de carbono.

(...)

Vim para casa humilde. Depois um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu esquecesse de mim. E fez. Quando gemeu "dói tanto", contei da moça vadia sozinha chorando, bebendo e fumando (como num bolero). E quando ele perguntou "por quê?", compreendi ainda mais. Falei: "Porque é daí que nascem as canções". E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não-ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?"


Caio Fernando Abreu - Pálpebras de Neblina in Pequenas Epifanias

26 setembro 2013

unfold me (...) and breathe me *

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Há dias em que a dor no peito se acumula de tal forma que dói, que sufoca. E o ar não entra e não sai. E é preciso pensar para respirar: "um,dois, inspirar" e logo de seguida "um, dois, expirar".

[suspiro]

E aí tudo acalma. O coração abranda. A dor atenua.




* Breathe me - Sia



Há dias em que a noite é longa, muito longa... e não termina depois do sol nascer.

Há dias em que podia ser só eu, a música, os teus braços e o teu peito. Só, mais nada.

23 setembro 2013

19 setembro 2013

da normalidade


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A vida, para mim, sempre foi construída dos pequenos detalhes do dia a dia, das rotinas instaladas que, mesmo assim, são surpresas constantes. Olhando por cima do ombro sei que não são os grandes momentos que me definem. Não foram esses que me construíram. Foi cada minuto e segundo dos dias mais (aparentemente) aborrecidos que me talharam. O sorriso daquele cliente trombudo, o elogio vindo daquela pessoa para quem nada está bem, as mãos que se tocam enquanto se janta em silêncio, os olhares que se cruzam enquanto uma série se vê ou dois livros se lêem, o telefone, que toca sempre àquela hora apenas para perguntar: "Como estás?". 

Hoje tenho medo do regresso a essa rotina, a essa normalidade, a esses dias que parecem sempre iguais. Olho e não quero acrescentar mais desses minutos que me constroem à minha vida. Queria aproveitar um pouco mais desta tristeza que salpica a minha vida feliz. Não queria essas camadas de normalidade em cima da lembrança, não queria esgravatar no meio das rotinas para encontrar a dor. 

Mas é tempo [apesar das dores de corpo e da ansiedade que me assalta] de deixar que esse tempo de normalidade e de rotinas regresse. É tempo de me voltar a irritar e a sorrir com aquilo que os dias  (aparentemente) iguais me vão trazendo. 



18 setembro 2013

saudades de ter alguém que aqui está e não existe *






na incerteza que nada mais certo existe
além da grande incerteza de não estar certa de nada *




*Desfado - Ana Moura