"As espécies que não desenvolveram a escrita valem-se da memória instintiva. O salmão sabe o caminho do lugar onde nasceu sem ter que consultar um parente ou um mapa.(...) Já o Homem pode ser definido como o animal que precisa tomar nota." Luís Fernando Veríssimo
31 março 2014
[suspiro] *
* ou de como, às vezes, uma música "aleatória", na rádio, nos faz voltar ao que realmente é importante
30 março 2014
há-os de vários tipos. despertares.

Leonard Lowe: We've got to tell everybody. We've got to remind them. We've got to remind them how good it is.
Dr. Sayer: How good what is, Leonard?
Leonard Lowe: Read the newspaper. What does it say? All bad. It's all bad. People have forgotten what life is all about. They've forgotten what it is to be alive. They need to be reminded. They need to be reminded of what they have and what they can lose. What I feel is the joy of life, the gift of life, the freedom of life, the wonderment of life!
do filme Awakenings
20 março 2014
13 março 2014
Carta a Alice #9
teeny tiny - aimeelikestotakepics
Faz sol. As azedas começam a marcar tudo por onde o olhar se perde. O ar já não pesa tanto, o respirar não é o mesmo custo. Queria muito mostrar-te tudo isto... a cor amarela das azedas, o chilrear dos pássaros (que entra pelos ouvidos de uma forma tão feroz), o cheiro, este cheiro de Primavera, de (re)início de vida que é tão marcante. Queria mostrar-te isto tudo. Fazer-te sentir o sol na pele, o amargo das azedas na boca, a terra nas mãos. A vida. Queria fazer-te sentir a vida, ter-te presente, porque o foste apesar de não seres. E o que faço no impulso, naquele instante em que alguém me pergunta? Nego-te. Nego a tua existência. E é como se me tivesse espetado, é como se uma faca me abrisse o peito. Digo-o rapidamente, despeço-me ainda mais rápido, com votos de felicidade e com a certeza que tudo irá correr bem. Fujo. Não aguento a dor que me rasga o peito, porque não fui capaz de te preservar (só para preservar os outros).
Foste, és e serás. E eu tive, nós tivemos, nós temos. Afirmativo, sem negar, sem negação. Tu és filha. Nós somos (pai e mãe).
Faz sol. Mas não posso (não podemos) mostrar-te o amargo das azedas, as andorinhas que chegam, o toque da terra, o cheiro da Primavera.
12 março 2014
30 janeiro 2014
"E o que é possível, sempre, é o afecto que damos aos outros…” *
* in Riso de Deus - António Alçada Baptista
28 janeiro 2014
08 janeiro 2014

.between us. by fe-e
Em quem pensar, agora, senão em ti?
Tu , que me esvaziaste de coisas incertas,
e trouxeste a manhã da minha noite.
É verdade que te podia dizer:
« Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?»
Mas ensinaste-me a sermos dois;
e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor;
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba.
Como gosto, meu amor, de chegar antes de ti para te ver chegar:
com a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.
Nuno Júdice
31 dezembro 2013
o que permanece
o meu amor ensinou-me a chegar
sedento de ternura
sarou as minhas feridas
e pôs-me a salvo para além da loucura
30 dezembro 2013
Carta a Alice #8

into the light
Nada consigo fazer
quando a saudade aperta
foge-me a inspiração
sinto a alma deserta
Os tempos ultimamente têm sido mais negros, mais escuros, apesar do brilho do sol que teimou em manter-se neste início de Inverno seco e solarengo. Amanheço mais triste, porque sinto uma peça em falta na engrenagem do dia. Tudo me lembra de ti e sorrio. Mas depois, depois o nó apodera-se do meu peito, o vazio, o buraco que ainda não percebi como preencher, ou se algum dia vou preencher.
Há dias (cada vez mais) em que me habituo e convivo com esse vazio. Há dias em que as gargalhadas se soltam e passam esse vazio e, depois, há aqueles em que a felicidade desaparece nesse buraco negro e, de repente, a tristeza rompe e as lágrimas soltam-se sem controle. Mas podes descansar... são cada vez menos esses dias. São cada vez mais os dias e as noites em que a lua cheia não é motivo para as lágrimas correrem, mas para um sorriso se abrir. Em que a linha na minha barriga não me faz desviar o olhar, mas ficar com alguma pena de a ver desaparecer (tenho medo que desapareças com ela). Em que as mãos do teu pai na minha barriga não me causam um arrepio de tristeza pelo corpo todo, mas apenas o carinho e o amor que ele sente por mim.
Tal como me moldaste ao longo daquelas quarenta semanas, agora também o tempo me vai moldando, com a certeza, porém, que não há um dia que passe que uma lágrima ou um sorriso não sejam desencadeados por ti.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

