11 junho 2014

Do que constrói as nossas madrugadas (dias) #13





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Aquilo que somos ainda não aconteceu.

S. João Evangelista


04 junho 2014

Desencadeador de memórias #1



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[de Carrazedo de Montenegro]

01 junho 2014

Carta a Alice #11


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"Sinto que há uma estranha eternidade naquilo que amamos e foi destruído."

Al Berto 



Os meses vão-se fechando. Um atrás do outro. Vão-se adicionando e acumulando minutos, horas e dias nas nossas vidas e, no entanto, tu permaneces a mesma, imutável. Nada muda em ti: a tua feição é a mesma, o teu peso não sai dos 4,100 kg, o teu pé não cresceu mais que os 8 cm perfeitos e nunca serás mais alta que os 56 cm (exactamente menos um metro que eu, reparo agora). 
E parece-me injusto esta coisa do tempo passar por ti e nada te acrescentar. 

Acrescenta em nós. Cabelos brancos, rugas, alguma tristeza mais profunda. E camadas, muitas camadas de vida regular. Vivo hoje bem com essas camadas, percebi que consigo chegar sempre que quero. Lá, a ti, à dor da tua perda, mas principalmente chegar àquele sentimento único, imutável (assim como tu) da alegria e felicidade que foi o encontro contigo. 

Foi-me desconcertante (há momentos em que ainda o é) acolher essa felicidade, acomodá-la, mesmo sabendo que não ficarias, sabendo-te morta. Necessitou de trabalho, de alguma insanidade, para perceber que conhecer-te teria de ser sempre o momento feliz. E será sempre aquele onde posso regressar, quando mais um mês se fechar e "um rasgão no peito, uma saudade de mim" (de ti) me tomarem de assalto. voltarei, a ti.



I had a secret meeting in the basement of my brain

26 maio 2014


If you live to be a hundred...






...I want to live to be a hundred minus one day so I never have to live without you.

A. A. Milne

04 maio 2014



"Well we’ve got holes in our hearts, yeah we’ve got holes in our lives
Well we’ve got holes, we’ve got holes but we carry on" 







01 maio 2014

Carta a Alice #10



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 É urgente o amor - Graça Loureiro



Fui contar-te hoje. Contei-te a mim mais uma vez (já perdi a conta de quantas) e descobri mais algumas coisas sobre ti em mim (em nós).

Contei-te e vi-te, novamente, mais clara aos meus olhos e ao meu coração. Há épocas nubladas sabes? Épocas em que o meu coração vê turvo e me escapas entre os dedos... Mas hoje contei-te mais uma vez e mais uma vez percebi que estás, mesmo quando nada o faz crer.

Hoje contei-te e (re)descobri que estás sempre, e mais ainda quando estamos, quando somos só um, quando o desejo, o amor, a química (o que lhe quiseres chamar...) nos impele. Tu apareces aí muito mais, muito menos nublada... nesse pedaço de peito onde a minha cabeça descansa e o coração do teu pai bate.




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Runaway! -  InstantPhotographer




"Mas hoje estou de bem com o mundo. Faz sol, faltei alegremente a dois ou três encontros, adiei outra vez todos os compromissos."


Manuel António Pina





Incapacidade expressiva #16


"Misteriosa coisa é a memória dos lugares, o que deles ficou em nós (o que é, talvez, um modo particular de dizer «o que de nós neles ficou») quando irremediavelmente se transformaram -  e, com eles, tudo aquilo que uma vez fomos - em passado e distância."

Manuel António Pina



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Choupal -Coimbra

18 abril 2014

Palavras #52

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Dust of time - NataliaDrepina



Chama-se amor a isto:
beber horas roubadas,
no receio constante
de que alguém as descubra
. . . . . (assim se tem cadastro!);

morder com pressa
a polpa dos minutos,
sem lhes sorver o sumo,
sem lhes tirar a casca
. . . . . (assim se apanham úlceras!);

ter este modo brusco
de engolir os segundos,
como se fossem cápsulas
de qualquer barbitúrico
. . . . . (assim se morre às vezes!)

O culpado: este cão
que trazemos bem preso,
todo agarrado ao pulso,
e a que chamamos Tempo.
. . . . . (sempre a ganir de susto.)


David Mourão Ferreira

31 março 2014

[suspiro] *







* ou de como, às vezes, uma música "aleatória", na rádio, nos faz voltar ao que realmente é importante