22 janeiro 2015

just breathe*








inspirar amor profundo




expirar gratidão






 * Pearl Jam

19 janeiro 2015

"senão era mais uma dor, senão não seria o amor" *


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* Só tinha de ser com você (Tom Jobim/Elis Regina)






sobre cartas de amor (e não só)





Todos os dias quando acordo. 

Todos os dias de manhã.

Há palavras, muitas, escritas pelo teu olhar. Sempre que as tuas pálpebras sobem e os teus olhos se encontram com os meus.

Todos os dias [todos] entregas-me cartas, cheias de palavras escritas, com o amor do teu olhar.






08 janeiro 2015

porque eu sou um animal que precisa tomar nota



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36 anos de mim


5 anos de nós [sob o mesmo tecto]


1 ano e 6 meses de ti [sem ti]


20 semanas de uma nova vida


24 dezembro 2014

Natal = Luz

caterina_olhares
caterina


* luz
(latim lux, lucis)
s. f.
1. O que, iluminando os objectos!o os torna visíveis.
2. Candeeiro, lâmpada, vela ou outra coisa acesa.
3. Efeitos de luz em quadro, fotografia ou outra representação.
4. O que ilumina o espírito. = claridade
5. Claridade de um astro. = dia
6. Brilho, fulgor.
7. Critério.
8. Evidência.
9. Ilustração.
10. Publicidade.


luzes
s. f. pl.
11. Saber, ciência, instrução, conhecimentos.
dar à luz: parir, publicar.
luz verde: autorização para fazer algo.
vir à luz: nascer; aparecer.

27 outubro 2014

porque a amizade é a mais alta e desprendida forma do amor *

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 Shinidamachu



Um dia, porém, a morte surge diante de nós com o rosto material e próximo de alguém que amamos. E descobrimos, subitamente, que ela sempre ali estivera, ao nosso lado, dando-nos a mão, falando-nos ao ouvido com a nossa própria voz.

Então algo vulnerável se desmorona, o mundo que havíamos construído para nós, de um momento para o outro, torna-se inabitável e desconhecido. Nomes, coisas, acontecimentos (o próprio acontecimento da morte) se desvanecem e sentimo-nos partir de nós mesmos para fora de nós como se sonhássemos.

(...)

De todas as vezes que vi de perto o rosto nenhum da morte, os seus olhos fitando-me de dentro do olhar ausente de um amigo, me senti desse modo no mundo, desenraizado de qualquer coisa maior que eu.

Um amigo (porque a amizade é a mais alta e desprendida forma do amor) é isso, uma referência da nossa identidade (ou lá o que é aquilo que somos), uma habitação que mais do que habitamos, nos habita ela, e por isso é que, de cada vez que um amigo desaparece, temos que recomeçar do princípio a nossa própria construção.



Manuel António Pina in Lembrança dos amigos mortos - Crónica, saudade da literatura

18 setembro 2014

hoje é [novamente] o primeiro dia do resto da tua vida *

Arcos do jardim_Hugo Antunes_olhares

Acasos in Breves notas sobre o medo - Gonçalo M. Tavares











"A principio é simples, anda-se sózinho

Passa-se nas ruas bem devagarinho

(...)

Enfim duma escolha faz-se um desafio
Enfrenta-se a vida de fio a pavio
Navega-se sem mar, sem vela ou navio
Bebe-se a coragem até dum copo vazio
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida"

* Sérgio Godinho

14 setembro 2014

Carta a Alice #15


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szefus







Sonho-te. 

Às vezes.

Grande, mas sem te conseguir ver as feições delineadas. Sei que és tu, porque o que sinto quando sonho (e, principalmente, o que permanece depois de acordar) não é igual a qualquer outro sentir.

Sonhei-te a brincar nas poças de água, desta chuva de verão, com o teu pai. Os dois (meus).

Foi (é, porque quando fecho os olhos tudo regressa) uma imagem tão nítida, apesar do nublado da tua face. É um sentir tão profundo este, da vida que poderia ter sido, mas não é. Tudo é real: o cheiro da chuva de verão, o molhado no corpo, o som dos pingos que caem, o sorriso, as gargalhadas, o olhar atento do teu pai.

Sonhei-te.

E é isso que nos resta depois de acordar. Esse sentir inigualável. Misturado com alguma tristeza, envolvida com a luz e a clarividência que nos ofereceste.



12 setembro 2014

      






I

10 setembro 2014

Palavras #54

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T00xicpanda




fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e
vestido com roupa passada a ferro, rastos de chamas
dentro do corpo, gritos desesperados sob as conversas:
fingir que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua
onde os nossos olhares se encontram é noite: as
pessoas não imaginam: são tão ridículas as pessoas,
tão desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam:
nós olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a
ferver sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades
de medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?,
pergunto dentro de mim: será que vou morrer? olhas-me e só tu
sabes: ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode
dizer: amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir:
um oceano que nos queima, um incêndio que nos
afoga.


José Luis Peixoto