"As espécies que não desenvolveram a escrita valem-se da memória instintiva. O salmão sabe o caminho do lugar onde nasceu sem ter que consultar um parente ou um mapa.(...) Já o Homem pode ser definido como o animal que precisa tomar nota." Luís Fernando Veríssimo
13 junho 2014
11 junho 2014
04 junho 2014
01 junho 2014
Carta a Alice #11
"Sinto que há uma estranha eternidade naquilo que amamos e foi destruído."
Al Berto
Os meses vão-se fechando. Um atrás do outro. Vão-se adicionando e acumulando minutos, horas e dias nas nossas vidas e, no entanto, tu permaneces a mesma, imutável. Nada muda em ti: a tua feição é a mesma, o teu peso não sai dos 4,100 kg, o teu pé não cresceu mais que os 8 cm perfeitos e nunca serás mais alta que os 56 cm (exactamente menos um metro que eu, reparo agora).
E parece-me injusto esta coisa do tempo passar por ti e nada te acrescentar.
Acrescenta em nós. Cabelos brancos, rugas, alguma tristeza mais profunda. E camadas, muitas camadas de vida regular. Vivo hoje bem com essas camadas, percebi que consigo chegar lá sempre que quero. Lá, a ti, à dor da tua perda, mas principalmente chegar àquele sentimento único, imutável (assim como tu) da alegria e felicidade que foi o encontro contigo.
Foi-me desconcertante (há momentos em que ainda o é) acolher essa felicidade, acomodá-la, mesmo sabendo que não ficarias, sabendo-te morta. Necessitou de trabalho, de alguma insanidade, para perceber que conhecer-te teria de ser sempre o momento feliz. E será sempre aquele onde posso regressar, quando mais um mês se fechar e "um rasgão no peito, uma saudade de mim" (de ti) me tomarem de assalto. Lá voltarei, a ti.
I had a secret meeting in the basement of my brain
26 maio 2014
04 maio 2014
01 maio 2014
Carta a Alice #10
É urgente o amor - Graça Loureiro
Fui contar-te hoje. Contei-te a mim mais uma vez (já perdi a conta de quantas) e descobri mais algumas coisas sobre ti em mim (em nós).
Contei-te e vi-te, novamente, mais clara aos meus olhos e ao meu coração. Há épocas nubladas sabes? Épocas em que o meu coração vê turvo e me escapas entre os dedos... Mas hoje contei-te mais uma vez e mais uma vez percebi que estás, mesmo quando nada o faz crer.
Hoje contei-te e (re)descobri que estás sempre, e mais ainda quando estamos, quando somos só um, quando o desejo, o amor, a química (o que lhe quiseres chamar...) nos impele. Tu apareces aí muito mais, muito menos nublada... nesse pedaço de peito onde a minha cabeça descansa e o coração do teu pai bate.
Runaway! - InstantPhotographer
"Mas hoje estou de bem com o mundo. Faz sol, faltei alegremente a dois ou três encontros, adiei outra vez todos os compromissos."
Manuel António Pina
Incapacidade expressiva #16
18 abril 2014
Palavras #52
Dust of time - NataliaDrepina
Chama-se amor a isto:
beber horas roubadas,
no receio constante
de que alguém as descubra
. . . . . (assim se tem cadastro!);
morder com pressa
a polpa dos minutos,
sem lhes sorver o sumo,
sem lhes tirar a casca
. . . . . (assim se apanham úlceras!);
ter este modo brusco
de engolir os segundos,
como se fossem cápsulas
de qualquer barbitúrico
. . . . . (assim se morre às vezes!)
O culpado: este cão
que trazemos bem preso,
todo agarrado ao pulso,
e a que chamamos Tempo.
. . . . . (sempre a ganir de susto.)
David Mourão Ferreira
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