10 março 2016


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"Tudo está perfeitamente bem.

Tudo está na mais perfeita ordem."






18 setembro 2015

dia de (re)encontro e de (re)começo



Arcos do jardim_Hugo Antunes_olhares
*




do (re)encontro que nos fez ver e voar




do (re)começo que transformou, irremediavelmente, as nossas vidas até ao seu final



12 setembro 2015


     II

10 setembro 2015

Incapacidade Expressiva #19



dos nossos dias

do tempo que passa (a voar)


do verde que se transforma em ouro




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06 setembro 2015

Escrito para ti #4

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Desde do momento em que nasceste, que gritaste desalmadamente em cima do meu peito, há uma solidão que me assola. Mesmo quando a sala está cheia, quando as vozes são tantas que não se consegue destrinçar de quem é a voz estridente ou aquela mais grossa. Ou simplesmente quando estamos os três, no silêncio da noite. 

Há uma solidão que nunca antes senti. Uma solidão avassaladora, que, às vezes, tenho a certeza nunca passará.  

É uma solidão de te ser, de te providenciar, de te amar. Uma solidão pela qual anseio, porque tudo parece mais simples e fluido quando estamos apenas os dois mas, ao mesmo tempo, uma solidão que parece matar a alegria de tudo o resto que sempre fez parte de mim e me construiu.

É terrivelmente avassalador o sentimento que me inunda quando simplesmente olho para ti (enquanto dormes, quando sorris, quando tentas comunicar nesses teus grunhidos tão enternecedores e indecifráveis). É tão avassalador que às vezes não sei se serei capaz de lidar com isto até ao fim da minha vida. Os medos, os medos que não cessam de surgir, um atrás do outro...

Mas depois sorris, para mim, como que a serenar-me... "Está tudo bem mãe. Eu estou aqui contigo. Essa solidão vai passar...." E passa. Nesses segundos tudo faz sentido, tudo encaixa no sítio certo e o mundo é um pouco mais perfeito.


07 julho 2015

Incapacidade Expressiva #18

dos nossos dias...



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Mata Nacional do Choupal

Carta a Alice #19


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Dois anos de ti. 

Dois anos de uma lua que inicialmente dilacerou e doeu, mas que agora serena e ajuda a respirar. 

Dois anos de cabelos grisalhos, de rugas e socalcos na face percorridos por rios de lágrimas (e depois acentuados por sorrisos mais verdadeiros e genuínos). 

Dois anos a sentir o teu peso no meu peito, mesmo  depois da tua carne se ter desfeito em pó. 

Dois anos a encontrar o lugar certo para a dor e o amor que vieram de mãos dadas contigo. 

Dois anos de aprendizagem e de descoberta do simples, do que vale a pena, do genuíno. 

Dois anos que te escrevo, que te agradeço. Sem ti, a brincar na Lua, não teria o teu irmão aqui deitado a descansar no meu colo. O mesmo colo onde ainda sinto o teu peso. O teu peso sem respiração. Os teus 4 kg de gente que calibraram e marcaram para sempre o meu peito. 

Dois anos em que a culpa e o sufoco no peito se foram atenuando e deram lugar à respiração plena. 

Hoje, dois anos depois, inspiro amor profundo e expiro gratidão. A ti, Alice (minha primeira), e à vida que te nos deu desta forma tão dolorosa e completa. 

Dois anos depois o ciclo  completa-se em nós com o André que respira, serenamente, no meu colo. Neste mesmo colo onde, há dois anos, tu não respiraste mas onde nos transformaste irremediavelmente. 




Parabéns a ti Alice, 
Nesta data querida
Muitos anos de vida (no nosso coração e memória )

05 julho 2015

Carta a Alice #18

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[foto de 28 de Junho de 2013]



A Lua é tua. 

Será para todo o sempre. Sempre que para ela olhar, para a lua, será a tua imagem que nos surgirá. Hoje a lua está cheia, enorme e luminosa. Hoje a tua mãe está cheia de amor e radiante com a vida do teu irmão. 

Tu és o princípio: de nós [como talvez nunca nos imaginássemos]; de uma felicidade mais verdadeira e genuína; do teu irmão. 

Hoje as lágrimas caíram [de tristeza sim] porque enquanto embalo o André [e maldigo as dores nas costas] imagino-te a correr pela casa toda. De volta das minhas pernas pedes-me para me baixar porque lhe queres dar um beijo para ele adormecer mais depressa. Imagino-te encaixada nos meus braços a ouvir a história que conto ao teu irmão deitado no berço. Imagino... 

E logo de seguida respiro, fecho os olhos e volto ao presente real. Volto ao teu irmão que, ao sorrir para mim, enxuga as lágrimas que correm na minha face. Volto ao presente que nos ofereceste [obrigada].

[escrito a 2 de Julho 2015]