01 Setembro 2014

todos eram mortais e tu morreste e vives sempre mais *





"A vida (a nossa como a dos nossos heróis) é feita de coisas últimas. Mas se com facilidade reconhecemos, nós e eles, as coisas primeiras, raramente nos é dado perceber a natureza última de um momento ou um acontecimento. Como no poema de Borges, há sempre um jardim que nunca mais atravessaremos, uma cidade aonde não regressaremos, um livro que não voltarmos a ler, um rosto que, sem saber, fitámos pela última vez, uma voz que nunca mais escutaremos."



Manuel António Pina -  Lembrança de António Reis in Crónica, saudade da Literatura



* Ruy Belo

31 Agosto 2014

em todas as ruas te encontro/em todas as ruas te perco *



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"So don't hold back because you think it's embarassing or a sign of weakness, no. When memories of lost loved ones flood back, painful experiences hit you hard, or your heart swells up inside you, I say just let those big, wet tears rain down without any guilt or shame.

Because we all need to let go sometimes."

in The Book of Awesome - Neil Pasricha



*Mário Cesariny

27 Agosto 2014

13 Agosto 2014

12 Agosto 2014

Carta a Alice #14

do silêncio ensurdecedor quando a porta se empurra



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É coisa rara, chegar a casa antes dele [do teu pai], mas quando acontece é um sorriso que se abre na minha face. Sorrio, enquanto estaciono, na expectativa de estar quando ele chega, quando a porta se abre. Todos os gestos mecânicos do caminho a sorrir: a caixa de correio [contas], os dois lanços de escada [às escuras], a chave na porta [o barulho do trinco].

E com o barulho do clique da porta há um clique no coração.  E o sorriso desaparece.

Há um silêncio diferente na nossa casa desde que chegaste e não ficaste. Um silêncio inesperado, ensurdecedor.

Chegar a casa e sentir o vazio.  O teu nome, lá ao fundo.

Perceber que o vazio não é verdadeiro demora uns segundos. Os segundos em que a porta de entrada fica para trás,  em que respiro fundo, fecho os olhos e tudo faz sentido [sem sentido nenhum].

E agradeço. Agradeço por aquele silêncio que me corrói ferozmente, mas que faz parte de nós, porque és tu.

13 Julho 2014

07 Julho 2014

Desencadeador de memórias #3









Carta a Alice #13

Em quem pensar, agora, senão em ti?
Tu , que me esvaziaste de coisas incertas, 
e trouxeste a manhã da minha noite.


Nuno Júdice





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Parabéns a ti,
 nesta data querida,
 muitas felicidades, 
muitos anos de vida [dentro do nosso coração e da nossa memória].



As datas não são apenas datas, sabes?... era algo que gostava de te ensinar... são dias como todos os outros dias, mas nós somos assim, gostamos de celebrar e recordar aqueles, que apesar de iguais a todos os outros, nos são especiais. O tempo passa da mesma forma, os segundos seguem-se uns aos outros, o sol levanta-se e troca de lugar com a lua todos os dias, mas há estes dias diferentes. No final, a memória [esta era outra coisa que gostava que aprendesses] é aquilo que nos vai construindo e moldando.

Há muita dor associada à memória de ti... e desculpa-nos por isso. Mas o tempo é um bom amigo e tem-nos ajudado. Não a esquecer-te [não acredites quando te disserem que o tempo ajuda a esquecer, não é verdade], mas a conseguir juntar uma boa dose de paz e serenidade à dor de ti.

1 ano

e hoje sei que a dor pode ser serena e que a lágrima em nós é tão fácil, honesta e profunda como o sorriso que nos ilumina a face.




05 Julho 2014






But I want her to know that this world is made out of sugar. It can crumble so easily, but don't be afraid to stick your tongue out and taste it.



22 Junho 2014

Palavras #53

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sa-cool



Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem.


Sophia de Mello Breyner Andresen