18 Abril 2014

Palavras #52

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Dust of time - NataliaDrepina



Chama-se amor a isto:
beber horas roubadas,
no receio constante
de que alguém as descubra
. . . . . (assim se tem cadastro!);

morder com pressa
a polpa dos minutos,
sem lhes sorver o sumo,
sem lhes tirar a casca
. . . . . (assim se apanham úlceras!);

ter este modo brusco
de engolir os segundos,
como se fossem cápsulas
de qualquer barbitúrico
. . . . . (assim se morre às vezes!)

O culpado: este cão
que trazemos bem preso,
todo agarrado ao pulso,
e a que chamamos Tempo.
. . . . . (sempre a ganir de susto.)


David Mourão Ferreira

31 Março 2014

[suspiro] *







* ou de como, às vezes, uma música "aleatória", na rádio, nos faz voltar ao que realmente é importante



30 Março 2014

há-os de vários tipos. despertares.



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Leonard Lowe: We've got to tell everybody. We've got to remind them. We've got to remind them how good it is.

Dr. Sayer: How good what is, Leonard?

Leonard Lowe: Read the newspaper. What does it say? All bad. It's all bad. People have forgotten what life is all about. They've forgotten what it is to be alive. They need to be reminded. They need to be reminded of what they have and what they can lose. What I feel is the joy of life, the gift of life, the freedom of life, the wonderment of life!




do filme Awakenings



20 Março 2014

dos dias [de ontem]



Hoje era também o meu dia...







não, não, não







hoje é o teu dia.



13 Março 2014

Carta a Alice #9

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teeny tiny - aimeelikestotakepics




Faz sol. As azedas começam a marcar tudo por onde o olhar se perde. O ar já não pesa tanto, o respirar não é o mesmo custo. Queria muito mostrar-te tudo isto... a cor amarela das azedas, o chilrear dos pássaros (que entra pelos ouvidos de uma forma tão feroz), o cheiro, este cheiro de Primavera, de (re)início de vida que é tão marcante. Queria mostrar-te isto tudo. Fazer-te sentir o sol na pele, o amargo das azedas na boca, a terra nas mãos. A vida. Queria fazer-te sentir a vida, ter-te presente, porque o foste apesar de não seres. E o que faço no impulso, naquele instante em que alguém me pergunta? Nego-te. Nego a tua existência. E é como se me tivesse espetado, é como se uma faca me abrisse o peito. Digo-o rapidamente, despeço-me ainda mais rápido, com votos de felicidade e com a certeza que tudo irá correr bem. Fujo. Não aguento a dor que me rasga o peito, porque não fui capaz de te preservar (só para preservar os outros).

Foste, és e serás. E eu tive, nós tivemos, nós temos. Afirmativo, sem negar, sem negação. Tu és filha. Nós somos (pai e mãe). 

Faz sol. Mas não posso (não podemos) mostrar-te o amargo das azedas, as andorinhas que chegam, o toque da terra, o cheiro da Primavera.


12 Março 2014

Do que constrói as nossas madrugadas #12




És o meu shortcut para a felicidade.





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Happiness bag  by Kate-FoX


30 Janeiro 2014

"E o que é possível, sempre, é o afecto que damos aos outros…” *






* in Riso de Deus - António Alçada Baptista

28 Janeiro 2014

But I am good, I am grounded





I keep feeling smaller and smaller

I need my girl

I need my girl

08 Janeiro 2014

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.between us. by fe-e



Em quem pensar, agora, senão em ti?
Tu , que me esvaziaste de coisas incertas, 
e trouxeste a manhã da minha noite.
É verdade que te podia dizer:
 « Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?»
Mas ensinaste-me a sermos dois;
e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor;
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba.
Como gosto, meu amor, de chegar antes de ti para te ver chegar:
com a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

Nuno Júdice

31 Dezembro 2013

o que permanece





o meu amor ensinou-me a chegar
sedento de ternura
sarou as minhas feridas
e pôs-me a salvo para além da loucura