07 agosto 2013

Carta a Alice #2 (depois de nascer)

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alice - wredna



Eras bonita.
 Sim, tu. 
 Minha filha.

Que nunca serás na plenitude, pois não és minha filha só por te trazer ao mundo. Serias com tudo o restante que te ensinasse, te ralhasse e te amasse. Serias com o tempo que ficaria a olhar para ti, a conhecer-te, a cheirar-te. Serias...

Uma dor, salpicada com felicidade, ter-te, sentir-te nos meus braços, no meu peito, para logo depois te levarem de nós. Mas ainda sorrimos para ti, enquanto lágrimas corriam pelas nossas faces. Sorrimos por, finalmente, te conhecer.

No fim, na contagem dos tempos, foram mais os dias em que te senti e te soube viva que os dias em que te deixei de sentir. E foi por isto, por todo esse tempo [essas 40 semanas, esses 280 dias, essas 6720 horas, esses 403200 minutos...] que a felicidade nos contagiou quando te olhámos. Que a esperança e a serenidade nos invadiram nesse momento. 
E é por isso que não é só a dor e a tristeza que nos invadem quando em ti pensamos ou te recordamos. 

Porque foste/és um (re)começo. 

escrito a 7 de Julho 2013

3 comentários:

Hugo disse...

*

Pedagogia do Terror disse...

Depois de ler este texto desejei por segundos ter interpretado mal. Infelizmente julgo não o ter feito. Mil abraços!

Ana disse...

sabem bem os abraços... obrigada