06 setembro 2015

Escrito para ti #4

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Desde do momento em que nasceste, que gritaste desalmadamente em cima do meu peito, há uma solidão que me assola. Mesmo quando a sala está cheia, quando as vozes são tantas que não se consegue destrinçar de quem é a voz estridente ou aquela mais grossa. Ou simplesmente quando estamos os três, no silêncio da noite. 

Há uma solidão que nunca antes senti. Uma solidão avassaladora, que, às vezes, tenho a certeza nunca passará.  

É uma solidão de te ser, de te providenciar, de te amar. Uma solidão pela qual anseio, porque tudo parece mais simples e fluido quando estamos apenas os dois mas, ao mesmo tempo, uma solidão que parece matar a alegria de tudo o resto que sempre fez parte de mim e me construiu.

É terrivelmente avassalador o sentimento que me inunda quando simplesmente olho para ti (enquanto dormes, quando sorris, quando tentas comunicar nesses teus grunhidos tão enternecedores e indecifráveis). É tão avassalador que às vezes não sei se serei capaz de lidar com isto até ao fim da minha vida. Os medos, os medos que não cessam de surgir, um atrás do outro...

Mas depois sorris, para mim, como que a serenar-me... "Está tudo bem mãe. Eu estou aqui contigo. Essa solidão vai passar...." E passa. Nesses segundos tudo faz sentido, tudo encaixa no sítio certo e o mundo é um pouco mais perfeito.


3 comentários:

inconfessável disse...

Não conheço o teu sofrimento e não consigo pôr-me no teu lugar.
No entanto, senti essa mesma solidão, esses medos que nunca deixam de existir, com os meus dois filhos.
Estou a tentar dizer que é normal, mas percebo que o que sentes é mais intenso do que senti

Ana disse...

[obrigada:)]

© Piedade Araújo Sol disse...

a ternura associada ao medo....

:)