18 novembro 2007


Puedo Escribir - Pablo Neruda (tradução inglesa recitada por Andy Garcia)


“...Faz hoje cem anos exactos, um pobre e admirável poeta, o mais atroz dos desesperados, escreveu esta profecia: Ao amanhecer, armados de uma ardente paciência, entraremos nas esplêndidas cidades. Acredito nesta profecia de Rimbaud, o vidente. Venho de uma província obscura, de um país separado de todos os outros pela cortante geografia. Fui o mais abandonado dos poetas e a minha poesia foi regional, dolorosa e chuvosa. Mas sempre tive confiança no homem. Jamais perdi a esperança. Talvez por isso chegasse até aqui com a minha poesia e também com a minha bandeira. Em conclusão, devo dizer aos homens de boa vontade, aos trabalhadores, aos poetas, que todo o futuro foi expresso nesta frase de Rimbaud: só com uma ardente paciência conquistaremos a esplêndida cidade que dará luz, justiça e dignidade a todos os homens. Assim, a poesia não terá cantado em vão.”


(excerto com a parte final do discurso de Pablo Neruda, pronunciado no dia em que recebeu o Prémio Nobel de Literatura, 1971)

4 comentários:

Berta disse...

"À l'aurore, armés d'une ardente patience, nous entrerons aux splendides villes"
Fica mais bonito em francês ;)

Rui disse...

Ça va!
E onde ficam essas "splendides villes"? Terá a Humanidade capacidade para chegar a essa "Terra Prometida"?
Ainda vou tendo esperança que um dia isso aconteça... Talvez um dia... :-)

Happy and Bleeding disse...

comecei a descobrir realmente a poesia através das palavras do Neruda e do Eugénio de Andrade... :)

*

Ana disse...

Rui: "ardente paciência" ;)

happy and bleeding: gosto muito dos dois, da sua simplicidade.