22 fevereiro 2009

Palavras #36

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"Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor

que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro."

Plano - Nuno Júdice

3 comentários:

Rui disse...

bravo!!!!!
clap, clap, clap... :-D

júdice em alta!
e parece que não é só ele, 'tá-me a parecer! ;-P

ivan disse...

dá vontade de pegar no copo e beber.

Ana disse...

rui, :)

ivan, pois dá;)*