06 abril 2008




Quando eu morrer voltarei para buscar
os instantes que não vivi junto do mar.










Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.

A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.








Terror de te amar num sítio tão frágil

como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.







letras... Sophia de Mello Breyner-Andresen

músicas... Poema azul (Sérgio Ricardo)e As praias desertas(António Carlos Jobim)
....interpretadas por Maria Bethânia




8 comentários:

Happy and Bleeding disse...

:)

e fotos... tuas?

Vanessa disse...

aquele poema ali em cima é o meu mais-que-tudo. fico sempre arrepiada ao lê-lo [ senti-lo ] ...

e lembrei-me disto também:

O dia inteiro deitado na areia, bêbedo de sol, de sal e de som. Não há dúvida que nunca serei capaz de dizer coisa com coisa do muito que trago na alma e tenho recolhido no meu já longo caminho. Tanto livro, tanta palavra, tanto esforço, e nada! Chocalha um oceano inteiro dentro de mim, e não consigo ir além dum poema estúpido, sonolento, que acaba assim:

O mar é bom,
Toca música.


Miguel Torga

:)

beijinhos*

Ana disse...

Happy: tudo o que não é referenciado ou é meu ou está-me ligado por laços de sangue;) neste caso é um misto!!

Vanessa: tão lindo esse texto do Miguel Torga. Lindo de morrer:) Obrigada*

teresa disse...

hoje num belo dia de chuva e cinzento , esta música enquadra-se perfeitamente....
e o poema.... uhmmmmmmmm
e o da tua amiga, tb concordo....lindo!
beijos grandes amiga
boa semana

Queen Frog disse...

Q conjugação mais linda:)
Palavras ditas, cantadas, e as fotos q são lindas.

Ana disse...

Teresa: sempre tão bom saber-te por aqui:) saudades amiga*

Queen: obrigada, tens sempre palavras tão generosas para colocar nestas caixas;)

Rui disse...

Doces versos aqui deram à costa... :-) É tão bom ler Sophia! E quando acompanhada pela voz de Bethania... Lindo, lindo!

Aproveito a oportunidade para partilhar aqui, um pequeno poema da mesma autora... Talvez já o conheças bem, mas é sempre bom recordar. ;-)

Mar

Mar, metade da minha alma é feita de maresia / Pois é pela mesma inquietação e nostalgia, / Que há no vasto clamor da maré-cheia, / Que nunca nenhum bem me satisfez. / E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia / Mais fortes se levantam outra vez, / Que após cada queda caminho para a vida, / Por uma nova ilusão entontecida. / E se vou dizendo aos astros o meu mal / É porque também tu revoltado e teatral / Fazes soar a tua dor pelas alturas. / E se antes de tudo odeio e fujo / O que é impuro, profano e sujo, / É só porque as tuas ondas são puras.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Ana disse...

:) é lindo esse poema Rui!
também faz parte do trabalho da Maria de Bethânia - Mar de Sophia - donde foram extraídas as canções do post. *